10 anos de Beats com “Shadowbox”

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Gravado entre Rússia e Israel, o 10º álbum de Beats Antique, ‘Shadowbox’, é uma homenagem aos dez primeiros anos de carreira da banda. Lançado oficialmente na última quarta-feira, dia 5 de outubro, o álbum é rico em eletrônica, influências orientais e arranjos orquestrais cinematográficos. Ao mesmo tempo que passeia pelos estilos apresentados em trabalhos anteriores, as faixas trazem uma nova proposta sonora. Em entrevista ao Bandcamp, David Satori conta que a ideia para o álbum surgiu após o lançamento da loja oficial da banda, que leva o mesmo nome.
As diversas fases da banda são perceptíveis no decorrer das faixas. Isto até poderia deixar aquela sensação de déjà-vu, tão comum com outros artistas, mas não é o caso com Beats Antique. Percebemos as familiaridades, mas há uma evolução em cada estilo apresentado pela banda ao longo de sua trajetória e, como não poderia deixar de ser, percebemos também as novas influências musicais que agregaram às suas composições.
Para este novo trabalho, a banda gravou com artistas de diferentes culturas em suas regiões de origem, viajando pela Rússia, Inglaterra e Israel, possibilitando o contato com músicos em seus ambientes nativos, observando e absorvendo as atmosferas para depois mixá-las e fazer disso sua música. Essas experiências de compor em grupo proporcionaram um intercâmbio multicultural surpreendente à banda, como explica Satori em sua entrevista ao Bandcamp.
“Three Sisters”, a primeira faixa do álbum, tem participação da cantora russa Tatyana Kalmykova com sua voz incrível mesclada com os poderosos tambores da banda. Satori diz que a banda está cumprindo sua missão de construir pontes através da música, e esta faixa é uma prova disto, “as pessoas vão ouvir esta canção por Tatyana, uma canção popular russa, e se apaixonar pelo lado da Rússia que não está na mídia”.

Para quem assistiu a apresentação de Zoe Jakes no Stardust Follies 2016 reconheceu a faixa. Podemos afirmar que a canção traz muito da essência tribal, sendo a composição mais forte do álbum, e talvez foi escolhida para abrir a obra exatamente por este motivo.

Zoe Jakes em Stardust Follies 2016
Em “Killer Bee” encontramos um sonoridade já familiar para quem acompanha o trabalho da banda. A faixa traz uma boa mistura de trompetes e afins, juntamente com batidas eletrônicas acompanhadas da participação especial do rapper Lafa Taulor.
O single “Let It All Go” foi lançado antes do álbum completo sair, e agora ocupa a terceira faixa de ‘Shadowbox’. Com participação da banda veterana Preservation Hall Jazz, a música traz um som e vocal que nos remetem às raízes do estilo, nos transportando para esta atmosfera. Impossível não sair dançando!
Não podemos esquecer de Zoe Jakes no Tribal Fest 15 dançando a faixa “Vesper Star”, com toda a sua sonoridade indiana – com créditos para o músico clássico Alam Khan – mas sem perder os elementos eletrônicos característicos da banda. É uma música mais introspectiva e belíssima que merece uma apreciação especial.
Zoe Jakes em Tribal Fest 15
A partir da 5ª faixa do álbum encontramos uma concentração maior de músicas que nos remetem a outros trabalhos da banda, mas com uma nova pegada. “Vendetta”, “Durn Dub”, “Semblance” e “The Block” são composições carregadas com elementos eletrônicos, mas sempre com um toque a mais, seja na introdução que traz apenas um instrumento, como um violino ou um piano, ou em trechos que parecem ter saídos daqueles momentos de tensão em filmes de ação.
A seguir, “Sideswipe” é toda percorrida por solos de guitarrada que dão à faixa uma atmosfera mais rock’n’roll, enquanto “Silhouette” parece contar uma história de suspense com uma pegada noir. “Le Refuge”, como o nome sugere, versa sobre a questão dos refugiados sírios. É uma bela canção cantada metade em árabe e metade em francês, criando uma composição harmônica, com sua melancolia e sonoridade remetendo ao oriente médio.
A última faixa, “The Fader”, fecha o álbum com chave de ouro mostrando que Beats Antique pode – e sem dúvida irá – sempre se reinventar. Com uma pegada reggae fusionada com outros elementos, a banda se entrega a uma sonoridade que deixa a gente com gostinho de quero mais, deliciosa para ouvir e apreciar.
‘Shadowbox’ cumpre a difícil missão de segurar as raízes da banda ao mesmo tempo em que nos apresenta seus novos horizontes e novas possibilidades de fusão, mostrando a capacidade dos músicos de criar diferentes dinâmicas sonoras sem desrespeitar as origens de cada estilo.




Ludmila Fornes é paulista, aquariana e bacharel em audiovisual. Escolheu trabalhar com cinema e criar com a dança, mas bebe das várias fontes da Arte.

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