Arte Audiovisual Contemporânea: A Beleza da Videodança

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Foto: Aline Santana

A expressão conhecida como videodança passou a ser reconhecida a partir de obras da década de 40, quando formulava-se o termo “filme-dança”, mas se firmou como linguagem somente no início dos anos 70. Spanghero (2003) utiliza a terminologia para englobar três tipos de prática:

  1. O registro em estúdio ou palco, ou seja: a gravação da coreografia com uma ou mais câmeras sem que esta sofra alterações significativas.
  2. A adaptação ou transdução de uma coreografia preexistente para o audiovisual, que se resume na captura da câmera e o ambiente do computador.
  3. As danças pensadas diretamente para a tela, cuja terminologia correspondente em inglês é screen choreography: são as danças concebidas especialmente para a projeção na tela.

Esta classificação pode ser expandida em inúmeros tipos de práticas diferentes envolvendo o movimento do corpo e o audiovisual, pertencentes ao panorama da videoarte. Todavia, para o trabalho em questão, a que mais se aplica é a descrita no terceiro item:

O que interessa primordialmente é que a câmera dance com o bailarino e que o bailarino se coloque no espaço e no tempo da câmera. No olhar da câmera. Quando a dança é captada pelo olho da imagem, ela ganha uma outra existência. Na realidade, este jogo adaptativo permite o florescimento de novas práticas para a dança e a modificação do corpo.

Gonçalves também sintetiza uma definição para videodança:  “Em síntese, videodança trate-se de uma produção coreográfica especialmente concebida para a tela e que só existe plenamente dentro da tela. De uma obra de dança criada como vídeo ou de um vídeo criado como dança.” Basicamente, a videodança é um gênero audiovisual de linguagem híbrida, como diz Kilma Farias em seu artigo “Tribal Fusion e Videodança: O Duplo Hidridismo na Tela” (2015):

Tudo se torna possível; dançar de cabeça para baixo, multiplicar o performer em cena, acelerar e desacelerar seus movimentos, inverter o sentido da ação, alterar cores, sobrepor imagens, entre múltiplas possibilidades. Desse modo, a dança do performer modifica e é modificada pelas técnicas de filmagem e edição. Os movimentos que antes não eram permitidos pelas limitações do corpo, dentro de outro tempo/espaço tornam-se realidades possíveis graças à hibridação corpo/tecnologia digital.

Assim como a dança tribal, a videodança surge como uma forma de linguagem abrangente em estética, movimento corporal e pensamento crítico, agregando técnicas diversas de outros estilos de arte, como por exemplo a animação e a fotografia, propondo assim uma poética entre artistas da dança, do cinema e da música. De maneira alguma ela pode ser confundida com um clipe de dança: “A resposta que distingue um vídeo-dança de um filme de dança ou de uma dança filmada pode estar resumida na decupagem, na câmera e no espaço de representação.” (VERAS, Alexandre apud MATTAR, Bia, 2014).

Pioneira na produção de videodança de Tribal Fusion no Brasil, Mariáh Voltaire define a expressão “como uma linguagem de mediação tecnológica e não como um processo de colagem; tampouco como mera exploração de efeitos técnicos.” (VOLTAIRE, 2010 apud FARIAS). Guilherme Schulze, produtor e pesquisador na área, propõe a compreensão da videodança “como síntese de múltiplas dimensões narrativas de análise constituídas essencialmente pelas dimensões primária, secundária e terciária.” (SCHULZE apud FARIAS, 2010), que Kilma Farias descreve, respectivamente, como o contexto e corpo, os planos do “olhar” da câmera e a “coreoedição”.

Seguindo esta mesma linha de pensamento, a australiana Karen Pearlman faz uma observação curiosa sobre o procedimento de editar e coreografar: “A aproximação da arte de editar e coreografar reconhece procedimentos similares para a construção das sequências e seleção de imagens/movimento.” (Karen Pearlman apud Bia Mattar, 2014).

Referências

DEPIERI, Raphael. O Impacto da Internet e Novas Tecnologias na Produção de Conteúdo. Palestra realizada para os alunos do curso de graduação em Comunicação Social da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista), 2015, Campo Limpo Paulista.

FARIAS, Kilma. Luz, Câmera, Tribal Fusion em Ação!: Uma pequena observação da utilização do videodança na linguagem do Tribal Fusion no Brasil. 2013. Disponível em: <https://www.facebook.com/notes/660586143953452>. Acesso em 24 de novembro de 2015.

______. Tribal Fusion e Videodança: o duplo hibridismo na tela. 2014. Artigo (Licenciatura em Dança) – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Corpo Cênico (NEPCênico), Universidade Federal da Paraíba, Paraíba, 2014. Disponível em: <https://www.facebook.com/notes/kilma-farias/artigo-resultante-da-pesquisa-sobre-tribal-fusion-e-videodan%C3%A7a-desenvolvida-no-n/796112953734103>. Acesso em 24 de novembro de 2015.

GONÇALVES, Arlete. Dança em Foco: Entre imagem e movimento. [S.n.t.]

MATTAR, Bia. A Arte da Videodança. Diário Catarinense, Santa Catarina, 16, ago. 2014.

SPANGHERO, Maíra. A dança dos encéfalos acesos. São Paulo: Itaú Cultural, 2003. Disponível em: <http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/uploads/2012/02/000292.pdf>. Acesso em 24 de novembro de 2015.

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