Gypsy Tribal Fusion?

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Considerando que todos os estilos de Dança do Ventre possuem raízes ciganas, bem como os estilos ocidentais fundidos e modernos de hoje, incluindo o Tribal e o Cabaret, com suas inúmeras influências e permutações, estaria correto classificarmos ou denominarmos algumas fusões como cigana, ou ainda utilizarmos o termo no marketing de um grupo, tal como fez o Ultra Gypsy?

Em seu artigo no Gilded SerpentAmy Luna questiona o termo e aponta diversas razões históricas e arquetípicas que levam a essa tentação esmagadora da comunidade de dança étnica em emparelhar o “cigano” com a Dança do Ventre, ocasionando em confusão ou até mesmo desrespeito aos verdadeiros representantes do ciganismo.

Segundo a história da Dança do Ventre, o estilo cigano surgiu em dois grandes centros urbanos no Oriente: Cairo/Egito e Istambul/Turquia, como Luna explica: “uma vez que a dança em público nestes países muçulmanos era desaprovada para ‘boas mulheres’, a tarefa da dança como entretenimento público sobrou para as comunidades romanichéis nessas área.”

A dança significava também uma forma de poder ajudar e sustentar a família num ambiente hostil aos ciganos, dado que as romanichéis eram proibidas de trabalhar na maioria das profissões nestas comunidades. Desta forma, livres dos tabus religiosos pregados pelos muçulmanos, as mulheres romanichéis ganhavam a vida praticando suas artes, tornando-se famosas e enormemente populares no leste e no oeste, passando a serem conhecidas como “Ghawazee” no Egito e “Rom” na Turquia.

Como já sabemos, a urbanização durante o século 20 fez com que essas danças folclóricas influenciassem os estilos que se desenvolveram nas discotecas e cabarés, e, ao chegar na indústria do cinema em Hollywood, se tornou o glorioso entretenimento que hoje conhecemos no Ocidente como Bellydance. “Desta forma, vemos a conexão entre a dança romani e o desenvolvimento histórico da Dança do Ventre, mas onde está o elusivo ‘Gypsy Bellydance’ então?”, questiona Luna.

Alguns dançarinos utilizam o termo porque incorporaram elementos de traje e movimentos oriundos de países ao longo da trilha cigana em suas performances. Mas usar este raciocínio é questionável: “um gesto de mão de Kathak – uma dança indiana clássica – não é Gypsy apenas porque vem de um país da fuga aciganada”, defende Luna.

Indiscutivelmente, há algo no dançarino de Tribal Fusion que sugere o arquétipo cigano: a fusão de várias influências culturais em uma estética boêmia que é terrosa, orgulhosa e apaixonado é certamente um primo distante das artes Romani, se não um descendente direto. “No entanto, isso também é um problema, porque os dançarinos estão usando um rótulo étnico para comercializar uma forma de arte baseada em um arquétipo e não uma linhagem autêntica.”

É possível afirmar que hoje, no Ocidente, com a ascendência pela busca de autonomia feminina, as mulheres estão reivindicando o antigo direito de serem poderosas e sensuais, seguindo a tradição de muitas Deusas pagãs de antigamente.

“O arquétipo da cigana e da dançarina do ventre são tão fundamentais e primitivos que induzem uma irresistível tentação de imitar.  Ambos sugerem uma mulher sexualmente sedutora, poderosa e independente – que é uma descrição bastante precisa das possibilidades disponíveis atualmente para as mulheres pós-feminista no Ocidente.” – Luna

Melissa Art

Melissa Art

Leonina na casa dos 20, Melissa Souza é natural de Jundiaí/SP, mas o coração é de Minas. Produtora e jornalista, atua com assessoria de mídias digitais para empreendedores e artistas.
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