Documentário The Fez

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Hoje é dia de entrar no túnel do tempo! Iremos falar um pouco sobre o documentário The Fez, o primeiro restaurante e discoteca dedicado à cultura árabe em Hollywood-USA. Você pode adquirir uma cópia física (DVD) ou digital através do e-mail TheFezDoc@gmail.com.  O documentário também está disponível em streaming na Datura Online. No momento, o documentário está disponível somente em inglês, mas segundo a produtora e diretora Roxxane, em breve haverá uma versão traduzida para os fãs do Brasil.

O termo “fez” possui, ao menos, três significados: “fez” como chapéu (cap, em inglês), de origem árabe – surgiu no Império Bizantino e posteriormente popularizado durante o Império Otomano; “Fez” como nome da segunda maior cidade do Marrocos; e “The Fez”, o primeiro clube noturno de origem árabe dos Estados Unidos.

Aqui uma tradução livre da sinopse do documentário:

“Diretora e Produtora, Roxxanne Shelaby, uma mundialmente renomada bellydancer, nos traz ao coração da Era de Ouro de Hollywood com ‘The Fez’ – o primeiro restaurante e clube noturno dedicado à cultura árabe na Costa Oeste. Aberto em 1959 em Hollywood, o legendário Fez não apenas se tornou um centro para a comunidade árabe no sul da Califórnia, mas um catalisador para a música e dança árabe, continuando a inspirar gerações de músicos e dançarinas para além de Los Angeles.

Este projeto pretende documentar uma pedaço da história da música e dança árabe, o centro cultural que The Fez se tornou para a comunidade árabe e para aqueles atraídos pela beleza e riqueza da cultura árabe E a nostalgia da velha Hollywood!

O documentário The Fez mostra a visão de dentro do primeiro clube do Oriente Médio em Hollywood, onde todas as estrelas clássicas foram vistas e apresentadas às Artes e Cultura do Oriente Médio. Com música árabe, dançarinas de dança do ventre e a melhor comida do Oriente Médio da cidade, The Fez teve os melhores músicos e dançarinas esquentando o chão de dança e se tornou parte da história da Vintage Hollywood.”

Fonte: site The Fez Documentary

O local foi fundado por Lou Shelaby, de origem libanesa e síria. Apaixonado por música, foi no convívio com músicos e dançarinas, que frequentavam sua casa por conta da deliciosa comida árabe de sua mãe, que Shelaby se inspirou para abrir o The Fez, tanto como restaurante como clube noturno.

Além de informações sobre a época e o processo do surgimento, o documentário está recheado de imagens – fotos e vídeos – de performances que ocorreram lá. Com cores e qualidade remasterizadas, é realmente um encanto poder ver um pouco das charmosas e talentosas bailarinas que passaram por lá. E não foram poucas!

Mas não só de belas imagens raras é feito esse documentário. Todo seu cerne está nas numerosas entrevistas – com muitos músicos, bailarinas e familiares que se envolveram ou participaram das animadas noites daquela época. Isso inclui as nossas amadas Jamila e Suhaila Salimpour, e também a Helena Vlahos, famosa pela sua capacidade abdominal de mover moedas sobre o ventre.

The Fez cresceu tanto, conquistando o público com sua hospitalidade, cultura e entretenimento de um povo tão exótico, que muitos famosos marcavam presença, como Marlon Brando e William Shatner, mas seu real valor foi dar espaço e oportunidades para uma miríade de músicos e bailarinas, o que certamente contribuiu para a carreira de muitos.

Fonte: projeto Kickstarted de Roxxane Shelaby

Sua história começa de maneira humilde, abraçada por todos os membros da família e cheia de desafios, como o acidente vivido por Lou que quase o impediu de continuar como músico, passando por uma era de ouro sendo a grande referência do Oriente Médio em meio aos Estados Unidos, e por fim enfrentando uma decadência nascida do preconceito dos americanos – devido ao assassinato de Bob Kennedy por um palestino.

Seu ambiente era dividido em dois andares – o de baixo sendo mais “familiar”, com o restaurante e performances mais elegantes, e o de cima, reservado ao clube em si, com show mais animados e entretecedores. Muitos relatam, no documentário, a atmosfera exótica e cheia de fumaça e mistério, mas também como sendo extremamente aberta e acolhedora, independente de alguém ser da família ou não, ou de origem árabe. Porém, quem tinha ascendência ou origem árabe, dizia se sentir “em casa”.

Sua fama não apenas levou muitos famosos hollywoodianos até lá, mas, dizem, também inspirou a própria Badia Masabni! Além de ter sido, parcialmente, cenário para o filme americano Hell Squad (1985). Jamila comenta em dado momento “estávamos imitando eles imitando a gente!”, se referindo à dança no oriente médio, e também diz achar que nenhuma bailarina atualmente não tenha alguma influência do impacto que The Fez teve na história da dança do ventre.

E a partir do nicho que The Fez construiu dentro do território americano é que foi surgindo a semente do nosso amado Tribal. Tanto por Jamila, que também dançou lá, como Daiane Weber, que posteriormente iniciaram esforços e criatividade para explorar a dança do ventre, levá-la para outros contextos públicos, ter mais visão e mesclar com outras culturas.

Ainda, o documentário não apenas trata, literalmente, do clube. Muitas das dançarinas entrevistadas também comentam sobre diversos temas que até hoje são trabalhados e discutidos no meio da dança, como a habilidade e vivência de se dançar com música ao vivo, à importância de se compreender a música árabe e seus sentimentos e de se deixar levar pelo improviso.

Os relatos falam que Lou era muito ético, encorajador, e tentava levar entretenimento sem perder a autenticidade da cultura. Havia todo tipo de dançarina, de todas as cores, tipos de corpo, personalidades. Explicava muito sobre seu mundo para o povo americano. Além disso, instruía a todos a amar a música e dança, e não o fazê-lo apenas por dinheiro. Muitas das dançarinas eram bem educadas e tinham estudos superiores, sendo esse ensinamento um equilíbrio entre o negócio e a arte.

The Fez não foi uma referência multicultural por coincidência. Apesar do grande foco na cultura árabe, esta se formava por músicos sírios e libaneses, bailarinas egípcias e americanas, todos unidos em prol de levar alegria e entretenimento através das vivências exóticas dessa cultura tão amada por nós.

Anath Nagendra

Gaúcha, camaleoa, eterna estudante, pesquisadora, bailarina, professora e coreógrafa de Danças Árabes, Tribal Fusion e Raja Yoga. Fascinada por didática e as variadas percepções da dança.

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