Homens da Dança

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Apesar de ressaltar a feminilidade, a dança tribal se destaca pela criatividade artística e técnica da bailarina sem necessariamente torná-la sensual, e pode-se dizer que esta é uma das principais distinções entre o estilo tribal e a dança do ventre, possibilitando um ingresso maior de dançarinos que vem conquistando o público com o carisma masculino, a exemplo do notável francês Illan Rivière. No Brasil também temos nossas pérolas: Lukas Oliver, Luy Romero e Guigo Alves são algumas referências na cena tribal masculina brasileira, além de Marcelo Justino, Jundiaí/SP, que também é adepto do estilo Tribal Brasil.

Lukas Oliver em videoclipe “Ímpeto” produzido por Gabriel Weng (2015)

Marcelo Justino estudou teatro, jazz, dança de salão, dança contemporânea, flamenco, dança indiana e danças urbanas, mas foi na dança do ventre que precisou lidar com o preconceito do público leigo, que o questionava principalmente sobre seu figurino e seu repertório de movimentos, considerando o quanto a dança acentua as formas do corpo feminino, como ele mesmo aponta: “o corpo masculino é diferente do feminino, não temos a cintura tão acentuada como as mulheres, não temos quadris largos, nossa estrutura é essencialmente mais quadrada, nossos músculos são naturalmente mais rígido, o que dificuldade a execução de alguns movimentos, principalmente os mais sinuosos. Para compensar tal dificuldade, sempre tive a sensação que eu precisava usar muito mais força que as meninas”.

Enquanto bailarino de dança do ventre, Marcelo Justino optou por excluir alguns movimentos e posturas do seu repertório, buscando sempre trabalhar a essência masculina na dança. “Quando danço solo ou com minha parceira, sempre tento manter alguns pontos de diferença para que quem me veja dançando, veja um homem dançando, não apenas pelo figurino, mas também através da minha postura em cena”, diz ele. Tal decisão não passou batido, levando-o a ser criticado pelo público e colegas de trabalho, que julgavam a qualidade das suas performances.

Esses problemas cessaram quando conheceu a dança tribal, mesma época em que iniciou seus estudos em danças populares brasileiras, como ele justifica: “a postura das bailarinas e bailarinos são muito fortes, expressivas, talvez pela influência flamenca no estilo. Usamos muito trabalho e força muscular, não que na dança do ventre não se use, mas o tribal a força como uma essência” e reforça que “dentro do tribal existe menos diferenças entre homens e mulheres na movimentação, mesmo assim, sempre tenho o cuidado de escolha no que se adequa melhor a mim enquanto homem. Meus figurinos e trabalhos coreográficos são sempre pensados no masculino”.

Marcelo Justino no festival Tribal X – Lisboa em 2013

Quin Roki, Várzea Paulista/SP, é outro dançarino que promete. Iniciou na arte da dança com a dança afro, mais especificamente a dança dos orixás, e também com a dança cigana, tendo conhecido o tribal somente em 2013, assim como muitos, através de vídeos de Rachel brice. Graduando em Educação Física, atualmente estuda American Tribal Style com Juliana Santos e está se capacitando para dar aulas de tribal. Recentemente, vem se destacando no estilo e trazendo ainda mais força para a presença masculina no meio.

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Melissa Art

Melissa Art

Leonina na casa dos 20, Melissa Souza é natural de Jundiaí/SP, mas o coração é de Minas. Produtora e jornalista, atua com assessoria de mídias digitais para empreendedores e artistas.
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