Magra, Linda e Leve

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Era um desejo adormecido, mas quando encontrou a dança, ela se encontrou, e seu sonho foi tomando forma até ela ter coragem para realizá-lo. Ela percebeu que para alcançar os objetivos que almejava, dependia unicamente de sua força de vontade.
Hoje, aos 37 anos – dez anos após iniciar seus estudos na dança oriental, Leandra Camargo Muraro nos conta como a arte te ajudou neste trajeto e nos mostra que o preconceito e o estereótipo da bailarina “magra, linda e leve” ainda existe na cabeça de muita gente.
Por fim, deixa uma crítica que não se limita somente ao público massivo, mas também às bailarinas: “gostaria que as pessoas evoluíssem e ao invés de críticas e mais críticas, elas se unissem com o mesmo objetivo de que dançar é felicidade”.
A jundiaiense ama tatuagem, “quando estou fazendo uma, nem terminou e já estou pensando na próxima”, diz ela.

Tribal Archive: Com que idade você começou a dançar e o que te levou a isto?
Leandra Camargo: Comecei a dançar em 2005, quando eu tinha 27 anos. Eu sempre quis dançar, mas tinha vergonha, então minha melhor amiga me incentivou e me deu de aniversário meu primeiro xale de quadril de Dança do Ventre, ai fui assistir uma aula com a professora Rosangela Bronca e decidi começar a dançar.
TA: Quais benefícios você acredita que a dança te trouxe?
LC: Como eu já era praticante de capoeira, eu já tinha um molejo no corpo, porém a dança era totalmente diferente do que eu estava acostumada. Demorei uns dois anos para tirar a capoeira da Dança do Ventre. Porém, dentre vários benefícios, o mais importante é o encontro da nossa feminilidade, o que fica muito esquecido por nós mulheres, a dança nos faz reencontrar nossa feminilidade e autoestima.
TA: Você fez um post no Facebook contando tinha uma meta com relação a seu corpo, como a dança te ajudou a alcançar esta meta?
LC: Eu não ligava muito para o que os outros pensavam sobre eu estar acima do meu peso, porém eu estava me sentindo muito mal e tinha vergonha de mostrar partes do meu corpo quando dançava. Decidi que iria mudar para melhor e procurei um método que me ajudasse nesta mudança, não só física, mas psicológica também. Quando decidi mudar, meu sonho era poder dançar sem me preocupar com o meu corpo, sem que eu precisasse me esconder atrás da segunda pele. A dança me incentivou muito a atingir o meu objetivo, fez com que seguisse firme na minha reeducação alimentar para que eu pudesse realizar o meu sonho de não me esconder mais.
TA: Esteticamente falando, você acha que a dança faz com que a gente mude o nosso conceito do que é belo e feio?
LC: É muito complicado falar do que é feio e o que é bonito, pois a dança transforma as pessoas quando estão se apresentando. Porém é importante ressaltar que você tem que estar bem consigo para poder dançar e através da dança expor seus sentimentos e suas emoções. Antes de tomar a decisão de mudar, eu só me apresentava nos festivais porque gostava muito de dançar, mas eu não estava de bem comigo e com o meu corpo, então eu levei dois anos para tomar a decisão de mudar radicalmente meu estilo de vida para que eu me sentisse melhor e pudesse aproveitar mais os momentos em que eu estava dançando.
Depois que tomei a decisão de mudar e já estava com o meu rumo certo, meu marido me contou que um dia estava assistindo uma apresentação minha e as pessoas que estavam do lado dele começaram a comentar que a apresentação estava muito legal, “mas sempre tinha que ter uma gordinha para estragar”. Essa gordinha era eu. Ele nunca me contou isso, pois sabia que eu ficaria muito chateada.
O maior problema é como a sociedade te vê e te julga, pois há um biotipo rotulado que toda bailarina tem que ser magra, linda e leve. Os leigos não compreendem o verdadeiro sentido da dança e a sociedade é muito preconceituosa. Hoje me sinto muito melhor para escolher roupas, por exemplo, tudo fica muito bom e minha autoestima está lá encima.
Professora de inglês e português, Leandra começou na Dança do Ventre, mas hoje também
estuda Tribal Fusion com a professora Juliana Santos (Jundiaí/SP).
TA: E o que você espera do futuro?
LC: Eu espero ser muito feliz, continuar dançando até ficar bem velhinha, se possível com muitos amigos a minha volta. Dançar faz bem para o corpo e para a alma, quem dança é mais feliz. Gostaria também que as pessoas evoluíssem e ao invés de críticas e mais críticas, elas se unissem com o mesmo objetivo de que dançar é felicidade.
Coreografia “Mix de Dança do Ventre e Tribal Fusion” por Juliana Santos apresentada no Festival Filhas do Egito de Rosângela Bronca em dezembro de 2015 (Jundiaí/SP).

Melissa Art

Melissa Art

Leonina na casa dos 20, Melissa Souza é natural de Jundiaí/SP, mas o coração é de Minas. Produtora e jornalista, atua com assessoria de mídias digitais para empreendedores e artistas.
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