Moria Chappell: a criadora do Odissi Fusion

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A tribaldancer Luna Tarrot do blog Mood Magazine realizou uma entrevista exclusiva com Moria Chappell após sua participação no festival Delirium BellyDance e o Tribal Archive traz a tradução em primeira mão para você.
Moria Chappell é creditada como a criadora do estilo “Odissi Fusion” que fusiona Danças Indianas com Dança Tribal. Professora, coreógrafa e designer mundialmente reconhecida, Moria é diretora artística do Bellydance Superstars e do grupo de Tribal Fusion Wild Saffron. Sua metologia de ensino é baseada em Muscular Bellydance Technique (MBT) que sintetiza intensidade e precisão simbolizando o isolamento e individualismo do Tribal Fusion. Moria já passou por diversos países como China, Itália, Alemanha, Áustria, México e Índia. Sua elegância, a criatividade com que confecciona seus figurinos, seu controle muscular ao dançar e seu talento como diretora coreográfica fazem dela uma mestra no assunto.
foto via Jeffrey Gardens

O que você prefere: dançar solo ou em grupo?

São duas coisas diferentes para mim. Amo estar em uma companhia, porque amo a energia compartilhada entre todos os bailarinos, a coreografia pode ser muito mais complexa quando trabalhada em conjunto e a confiança que temos uns nos outros no palco é algo que não se pode ser reproduzido de nenhuma outra maneira, por isso, se eu tiver que escolher entre dançar solo ou em grupo, provavelmente escolheria dançar em grupo, mas como artista solo eu posso expressar muito mais a minha experiência, porque só eu estou correndo riscos, não preciso convencer ninguém de que algo seria uma boa ideia, eu posso ir além e assumir várias danças que muitas pessoas não conhecem. Por exemplo: se eu viajar para Camboja, Java ou Índia, eu posso ver como funciona lá,  aprender diretamente da fonte e incorporar em minha dança, ao passo que se eu estou num grupo, ou eu tenho que trazer todos comigo ou eu tenho que ensiná-los, e você não pode reproduzir a experiência de ir e absorver da fonte para si mesmo, acho que essa é a melhor parte de ser uma solista.
Wild Saffron em Tribal Fest

Como você se prepara para um show?

Quando eu começo a preparar a minha maquiagem, este momento já se torna uma meditação para mim, pois começa a haver uma transformação: quem eu sou no dia-a-dia é diferente de quem eu sou no palco, sinto que o personagem vem com o figurino, penteado, maquiagem, coreografia e música; uma mudança acontece e a transformação começa quando coloco minha maquiagem e me acalmo, em meu interior, em minha mente, me contenho dentro de mim, para quando subir ao palco colocar tudo para fora, e quando o show acaba, guardo tudo de volta. Quando vou dançar não saio e me jogo, a menos que essa seja a minha personagem, eu passeio e converso com as pessoas enquanto estou esquentando. Mas quando é uma parte particularmente espiritual, fico mais tranquila e reservada.
foto via

Como você escolhe seu figurino?

Isso acontece de maneiras maneiras, às vezes, ouço a música e sei exatamente o que tem que acontecer na dança e o que o figurino precisará suportar, por exemplo: se haverá muito trabalho com os pés, a roupa não pode ser muito longa, e se eu vou fazer movimentos no chão, a roupa não pode ser muito aberta. Em outras ocasiões, deixo minha mente em outro lugar e começo a costurar, não sei o que vai acontecer, só sinto uma urgência em fazer, meus dedos começam a trabalhar por si próprios e quando termino fico surpresa com o resultado.
Perguntam-me: “como você pensou nisso?” e eu não sei, não sei o que pensei, só fiz, e quando isso acontece, espero pela música que vai com o figurino, porque o traje veio primeiro, então não posso combinar com qualquer coisa. Acredito firmemente que a música, o figurino e a dança devem ser companheiros e apoiar uns aos outros mutuamente. Em outras ocasiões, tenho a dança em mente e intencionalmente junto uma peça de estilo Indonésio com algo no estilo bellydance para ver como fica, é um experimento, isso acontece de diferentes maneiras com o figurino.
Para mim, costurar é muito terapêutico, quando eu me sinto estressada e fora de mim, se eu puder controlar uma agulha então eu consigo me controlar e me concentrar. Quando estou costurando, nada mais importa, posso ficar assim por horas ou por dias, é maravilhoso, e quando eu dançar com esse figurino, a energia vai estar lá. Sinto que meu figurino é meu parceiro na dança e estamos juntos nessa, eu tentei comprar roupas, mas não sei se está correto, me sinto estranha, como se estivesse me disfarçando ao invés de mostrar uma parte de mim.
foto via Pinterest

Como encontrar a magia na dança?

O que sinto quando estou dançando é que nos conectamos com o nosso corpo de uma maneira única, pois é uma arte viva que só existe quando você a faz, mesmo que você grave não é a mesma coisa, se você não praticar, aquilo morre imediatamente porque a única maneira de continuar é praticando. Uma pintura pode durar para sempre, uma escultura, uma música pode ser gravada, mas a dança só existe quando você a faz e logo depois não existe mais; se converte num momento do tempo que se conecta com sua mente, seu corpo, seu espírito, a energia do planeta, com o que está acontecendo com a nossa sociedade, com as nossas vidas, e faz de cada dia que se dança um dia especial.
Confira a entrevista original na íntegra aqui.

Melissa Art

Melissa Art

Leonina na casa dos 20, Melissa Souza é natural de Jundiaí/SP, mas o coração é de Minas. Produtora e jornalista, atua com assessoria de mídias digitais para empreendedores e artistas.
Melissa Art
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