Notas da Autora

Houve um período de muita tensão no Brasil em que, incompreendida, as dançarinas de tribal se dividiram por defenderem opiniões contraditórias entre as que praticavam a dança de forma tradicionalista e as que desenvolviam seus próprios estilos de fusão com liberdade e autonomia. Se não fosse o bastante, devido a essa confusão quanto aos fundamentos da dança tribal, o estilo tornou-se mal visto pela comunidade da dança do ventre, que se ressentiam de serem comparadas às de tribal, sendo que, em conclusão, todas fazem parte de uma única “tribo”: todas são da dança do ventre. A princípio, o presente trabalho surgiu com o propósito de reunir as informações acerca da dança tribal num livro-reportagem, todavia, o projeto passou por adequações de formato para atender às necessidades que se tornaram prioridade em visão da aluna-pesquisadora: falar da dança como uma arte que une as mulheres com ideais em comum.

Numa era de cultura digital, as artes ressurgem como uma forma de resgatar a essência humana e sua relação com o natural. O artesanato, bem como o orgânico, se revalorizou, e é preciso reaprender a respeitar o tempo, a ordem natural das coisas, em especial o tempo do corpo e da mente. Numa era de comunicação líquida e expressão livre, argumentos não faltam, e as mídias sociais são a porta de entrada para expor pensamentos e opiniões, ainda que erráticas e moralistas. Com isso, a comunicação por gestos e olhares ficou em segundo plano, e o movimento corporal tornou-se necessidade no dia a dia. Em meio a discursos e protestos em um caos urbano, meditar e se conectar com a natureza e o chamado divino interior, reordenar os sistemas internos, buscando o equilíbrio entre o sagrado e o profano, para muitas praticantes da dança tribal é uma benção.

Comunicação se faz por um processo de construção. Com o advento das mídias sociais, fazê-la com integridade e eficiência tornou-se um trabalho árduo – não é todos que obtém reconhecimento no meio. Desta forma, ao possibilitar interações, questionamentos e debates sobre a prática e produções na dança tribal, pode-se dizer que o objetivo do presente trabalho foi cumprido. Todavia, ainda é necessário maior engajamento pelas próprias profissionais e especialistas do meio, pois somente estas poderão reafirmar e manter atualizadas as pesquisas desenvolvidas sobre a dança tribal. E cabe aos profissionais de comunicação, em especial os produtores de conteúdo, independente do formato utilizado, levar a informação com clareza e imparcialidade ao público que surge com a expansão do estilo.


Agradecimentos

Primeiramente, agradeço aos meus professores, orientadores e à coordenadora do curso, Leni Pontinha, por me proporcionarem o amparo necessário para a realização deste projeto, em especial ao prof. Paulo Genestreti e à profª Ane Medina. Desde a aprovação da minha proposta de trabalho de conclusão de curso, sou muito grata à oportunidade de desenvolver o presente trabalho e, desta forma, expressar meus ideais enquanto aluna-pesquisadora, pessoa e dançarina. Não posso deixar de citar a grande importância do apoio e compreensão dos meus amigos e familiares, em todos meus momentos de angústia, dúvidas e ansiedade – em especial à minha amada mãe, amiga e companheira, Vera Lúcia; e ao meu futuro marido, Everton Souza – principalmente por terem me dado o suporte necessário para que eu não abandonasse o percurso.

Mais do que a fundamentação técnica necessária para o exercício da profissão, o curso de graduação em comunicação social com habilitação em jornalismo abriu a minha mente e a minha visão crítica para com a sociedade em que estamos inseridos. Não só o meu modo de pensar e agir mudou, mas a minha formação como pessoa, meus valores pessoais e profissionais mudaram, minha autocrítica evoluiu de forma construtiva. Ao iniciar a faculdade eu era uma garota muito tímida e introspectiva e os desafios do curso me engrandeceram e fizeram de mim uma pessoa mais disposta a cumprir meus anseios e objetivos. Sendo assim, deixo minha sincera gratidão à instituição Faccamp – Faculdade Campo Limpo Paulista.

Nada disso seria possível sem meu desenvolvimento em paralelo com a dança, então também dedico este trabalho às pessoas especiais que conheci ao ser acolhida na dança tribal: em especial, à minha eterna mestra na arte da dança do ventre, Sol Gadaq; à minha maior inspiração na dança tribal, Joline Andrade; e aos amigos que a dança me trouxe, dentre eles, agradeço à Adriana Thomazotti, pelo apoio, incentivo e paciência. Agradeço também a todos os dançarinos que cederam suas palavras e imagens para contribuir com este projeto: Dany Anjos, Isabel Botelho, Quin Roki, Marcelo Justino, Kilma Farias, Paula Braz, Leandra Muraro, Ana Harff, dentre inúmeros outros.

Se hoje sou chamada de fomentadora da dança tribal pelos meus amigos próximos, devo tudo ao meu amor e respeito pelas esferas da arte, mídia, linguagem e comunicação. Que este prazer não se encerre por aqui: é com grande orgulho que considero este projeto como um ponto de partida para as minhas realizações futuras, comprometendo-me a buscar sempre um aprimoramento pessoal, acadêmico e profissional constante.