O Projeto

“Para que as pessoas redescobririam uma coisa tão antiga como a Dança do Ventre?” é um dos questionamentos presentes na obra Dance e Recrie o Mundo: a força criativa do ventre (PENNA, 1997, p. 143), e a resposta traz à luz o tema central para concepção do website multimídia de jornalismo cultural sobre produções artísticas em dança tribal como projeto experimental para conclusão do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. O portal Mulheres que Dançam reúne artigos, notícias e resenhas multimídias sobre produções artísticas em dança tribal bem como entrevistas e depoimentos de agentes e precursores do estilo no país, tendo como propósito apresentar, informar e entreter o público que possui empatia pela área e tema.

Considerando a linguagem da dança como uma manifestação social que traz consigo um conjunto de signos através da expressão corporal, torna-se clara a evidência da interseção cultural, política, social e antropológica no fazer artístico, cuja transmutação ocorre em maior velocidade devido a influência dos avanços tecnológicos. Em meio a este cenário, surge a dança tribal, definida como uma dança de fusão étnica e contemporânea, trazendo consigo uma ressignificação dos valores femininos, tema em voga com os manifestos pelo empoderamento da mulher.

Conhecida popularmente como uma vertente moderna da Dança do Ventre, o estilo tribal surgiu como uma forma de expressão inovadora no final da década de 60 na Califórnia (EUA), em meio a episódios sociais, culturais, políticos e econômicos, intensificados pelos movimentos de globalização, acompanhando o desenvolvimento dos meios de comunicação, chegando ao Brasil em meados da década de 90, trazendo consigo um conjunto de signos que o caracteriza como uma dança étnica de fusão, como aponta Joline Andrade, bailarina e especialista em Estudos Contemporâneos sobre Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em sua monografia Processos de Hibridação na Dança Tribal: Estratégias de Transgressões em Tempos de Globalização Contra Hegemônica (2011, p. 13).

O corpo é palco de discussões desde a antiguidade clássica, estabelecendo-se sobre sua condição primordial numa sociedade bastante complexa, pois “as diversas situações históricas, sociais e econômicas, nas quais se vive, distinguem e (o) segmentam” (VASCONCELOS, 2015, p. 80-87). O recorte abaixo do artigo de Siqueira (2006) apresenta uma reflexão sobre a relação de corpo, arte e mídia cuja interpretação reforça a ideia apresentada:

Entendida a partir da conjunção dos elementos anteriormente citados, dança é uma forma de conhecimento do mundo, do homem e dos objetos, através do corpo e seus movimentos, um modo de expressão artística, técnica e estética, individual e social, que utiliza o corpo como meio de comunicação. Por ser constituída como cultura, […] reflete valores, princípios, costumes, éticas, épocas, lugares. Assim, antes de tudo, é uma categoria genérica, que abarca estilos, técnicas e formatos muito variados, de acordo com a cultura na qual é produzida, com elementos subjetivos de seu criador e marcas corporais de seus intérpretes. (p. 100)

Em 2008, Celestino trouxe uma importante contribuição para o meio acadêmico sobre a dança tribal: o artigo Sementes, espelhos, moedas, fibras: a bricolagem da dança tribal e uma nova expressão do sagrado feminino, utilizado como uma das principais referências em trabalhos posteriores. Sua citação mais frequente é “falar sobre tribal é mostrar, com o corpo, a rede cultural dos povos do mundo.” (p. 3), que faz jus ao título do projeto, cuja intenção é ressaltar as características da dança que remetem à ancestralidade e naturalidade.

A dança que permeia tudo, que é macrocósmica e microcósmica, é também expressão, comunicação. Na era da globalização, da liquifação dos valores mais primordiais o tribal parece vir na contramão desse processo, utilizando-se dele como mais uma ferramenta para refazer o jogo da ritualidade, da sacralidade, da criação. (et seq.)

Pode-se afirmar que, ao entrarem em contato com a dança, as dançarinas têm uma intenção clara de resgatar valores ligados ao feminino. Se compreendermos a dança além de uma manifestação estética e/ou artística, poderemos ver a conexão entre a criação poética e o envolvimento que vivenciam as dançarinas (CELESTINO, 2008, p. 1).

Justificativa

Vivemos na era da comunicação e a palavra da vez é “interação”. Tudo está na internet e a internet está presente em diferentes plataformas – computadores, celulares, televisores, dentre outros dispositivos. As distâncias se desfizeram, os relacionamentos se estreitaram e o feedback se tornou uma ferramenta relevante e inevitável para pessoas físicas e jurídicas. Todavia, esta liberdade midiática ocasiona na difusão de informações erráticas, e o mesmo acontece no meio artístico: o público internauta levanta questionamentos sobre a prática e a metodologia de diferentes linguagens, inclusive da dança e, especificamente, a dança tribal.

O novo jornalismo traz consigo diferentes formatos na produção textual, e o jornalismo cultural, por sua vez, assume um papel importante na transmissão de notícias acerca da linguagem da dança, todavia, não mais que o papel fundamental desempenhado pelas mídias digitais massivas, tais como as redes sociais, principalmente com relação à propagação da dança tribal. Ainda considerada pauta fria nos grandes veículos de comunicação, assim como tantas outras expressões artísticas, cabe ao web jornalismo levar ao público internauta informações claras e objetivas sobre o conceito da dança tribal.

A propagação da dança tribal se deve ao avanço das ferramentas de comunicação, todavia, as informações sobre ela precisam ser estudadas, sintetizadas e organizadas de forma a salientar os questionamentos pertinentes à área, tornando este estudo de alta relevância para o meio acadêmico, midiático e artístico, contribuindo para a produção de projetos secundários e paralelos. Deste modo, pode-se dizer que a proposta deste trabalho é levar o leitor a conhecer histórias, ter uma fonte de informações sobre a cena tribal nacional ou apenas provocar uma aproximação do público com esta linguagem de dança.