Você tem permissão para se sentir sensual

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Contemple a Deusa em seu elemento. Fundada na natureza, cercada por intenções de irmandade e fraternidade. Ela é ousada em sua criatividade e livre em seu movimento.

Numa época em que as mulheres continuam com medo de andar sozinhas nas ruas sem sofrer assédio físico ou verbal, em que as mulheres morrem de circuncisão, negligenciando suas natureza pessoal, onde revelar a parte superior do seu corpo é considerado uma ofensa sexual, surge uma prática coletiva para restaurar o equilíbrio através do movimento: a prática da dança como sagrada, catalisando para a ascensão e expressão da energia feminina*, e esta sensação reverbera na vida diária de todas as participantes.
Hoje a sensualidade é mal compreendida, atolada em mitos. Contudo, as mulheres reivindicam e proclamam seu direito de permanecer em seu poder e em seu prazer, permitindo que outros testemunhem enquanto abrem seus corações e se sintonizam em seu ventre. Ao fazerem isto, elas nos convidam a fazermos o mesmo. A feminilidade autorizada surge através destas mulheres corajosas em um momento onde tudo isso é muito escasso.
Numa oficina realizada na edição 2016 do festival Lightning in a Bottle, Zoe Jakes disse:
“Como uma mulher e como um homem, você tem permissão para se sentir sensual. Então sinta-se poderoso neste movimento!”

Como conta
Alyssa Paricio no WildSpice Magazine, ela convidou cada um dos participantes para explorar o movimento sensual da Dança do Ventre em seus próprio corpos – não se afastar da intenção, mas possuí-la – demonstrando a ilimitabilidade da feminilidade em uma época onde esta palavra é muitas vezes descrita como bidimensional.

 

Cada performance é a experiência de um mundo em si

A dança tem sido entrelaçada com os rituais femininos desde que a história foi registrada. No entanto, temos esquecido. Vendido, comercializado, queimado, sexualizado e sujado. Hoje, devemos trabalhar em dobro para resgatar nossos valores. O compromisso em massa com esta liberdade é necessário para avançar em intenções de equilíbrio e libertação da energia feminina e masculina que existe em cada um de nós.
A dança sagrada não se limita a aulas, nem termina no palco – este é só um ponto de partida. A tendência dos festivais de arte e cultura alternativa abrirem suas portas para nós, dançarinas, está crescendo cada vez mais. É uma oportunidade de explorarmos nossa sensualidade como uma experiência, sem neuras, padrões ou pré-conceitos. A aprendizagem é espiritual, não técnica ou didática. O solo é o nosso palco.
Para quem já participou de um evento do tipo sabe que, ao longo de uma imersão que chega a durar de 3 a 7 dias, testemunhamos indivíduos tendo seus próprios despertares espirituais. Todos os indivíduos: dos intérpretes aos falantes, dos professores aos frequentadores do festival. O objetivo é garantir que todos nós nos encontremos em nosso meio. Agora, é nosso dever trazer isto de volta às nossas comunidades e ter espaço para isso dentro de nós.
 
*Traduzido e adaptado do artigo original “Behold The Goddess: Sacred Dance at Lightning in a Bottle” de Alyssa Paricio.

Dançar é experimentar toda a liberdade da alma no corpo

O Tribal ritualístico se inspira na diversidade dos movimentos e dos rituais sagrados, utilizando-se da consciência do indivíduo, dos símbolos e do corpo enquanto linguagem para a expressão corporal. Emergiu nas primordiais rodas xamânicas de transcendência e cura em confluência com os movimentos orgânicos das danças de adoração à Grande-Mãe e em complemento com o conhecimento da mitologia egípcia, grega e celta, bem como através da espiritualidade dos mudrás na dança indiana.


Expressa a coletividade e liberdade das danças ciganas, trazendo a força e o ritmo das danças africanas, alinhadas à postura e flexibilidade proporcionadas pela yoga, que se somam à alquimia e conexão com as forças criativas em perfeita comunhão com os fluxos da natureza, nosso templo-corpo.

 
Neste estilo, o movimento ganha vida através da manifestação performática. A performance é uma expressão cênica em que estética e ritual se encontram, assim como as artes plásticas e as artes cênicas, que formam uma linguagem híbrida que guarda características da primeira enquanto origem e da segunda enquanto finalidade.  Na performance considera-se a dialética entre o princípio do prazer (dionisíaco) e o princípio de realidade (apolíneo) como busca para o equilíbrio, ao mesmo tempo em que este status-quo pede fluxo, já que rapidamente é desconstruído através da dança num movimento contínuo de emanar e receber a energia celestial do ser uno.
 
*Adaptado do artigo institucional “Dança Tribal Ritualística Performática” de Carla Brasil.
*Uma observação importante é que quando nos referimos à Feminilidade, Energia Feminina, entende-se que cada indivíduo, independentemente do gênero, possui um espectro de energia – feminino e masculino. Neste artigo, nós honramos primeiramente as mulheres que carregam a tocha do empoderamento feminino. No entanto, o papel da energia masculina, os homens desempenham uma parte integral na criação de um espaço de segurança e abertura para essa energia circular livremente.
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Melissa Art

Melissa Art

Leonina na casa dos 20, Melissa Souza é natural de Jundiaí/SP, mas o coração é de Minas. Produtora e jornalista, atua com assessoria de mídias digitais para empreendedores e artistas.
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